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Certificação Cisco CCNA vale a pena em 2026?

por Luiz Silvério

Vou responder direto: vale.

Mas essa resposta sozinha não serve para você. O que importa é entender por que vale, para quem vale mais, e o que acontece com quem tira o CCNA sem preparação real.

O que o mercado está mostrando agora

Abri o Indeed e o Jooble hoje. Mais de 160 vagas ativas no Brasil com CCNA como requisito ou diferencial. Empresas como TIVIT, Renault, Positivo S+, Manpower Group, Neusoft. Vagas em São Paulo, Brasília, Belém, Fortaleza, São Gonçalo do Rio Abaixo.

Algumas pedem a certificação como obrigatória. A maioria usa como filtro de qualidade: entre dois candidatos com experiência parecida, o que tem CCNA passa na frente.

Daí já está a primeira resposta: o mercado brasileiro usa o CCNA como métrica de conhecimento, mesmo em empresas que não usam equipamentos Cisco. Não é sobre a marca. É sobre o que a certificação prova que você sabe.

A realidade dos salários

Sem rodeios. Os dados de 2026:

  • Analista de Redes sem certificação: R$ 5.500 em média (Portal Salário, base CAGED com 27 mil profissionais)
  • Especialista em Redes Cisco certificado: R$ 8.500 a R$ 12.500 (Glassdoor, dados de abril 2026)
  • Profissional sênior com CCNA e experiência: R$ 15.000 a R$ 20.000 em grandes corporações

Profissionais certificados recebem em média 20% a 30% a mais do que candidatos sem certificação para a mesma vaga. Não é teoria. É o que o mercado está pagando agora.

O CCNA sozinho não garante R$ 15.000. Experiência + certificação + inglês técnico + capacidade de troubleshooting real, isso garante. A certificação é o piso, não o teto.

Para quem vale mais

Quem está entrando na área de redes agora. O CCNA é a porta. Sem ele, a candidatura fica na pilha errada. Com ele, você passa pelo primeiro filtro de qualidade da maioria das vagas.

Quem já trabalha na área sem certificação. Se você configura roteadores e switches no dia a dia mas não tem a certificação, está deixando dinheiro na mesa. A prova valida o que você já sabe e abre negociação salarial que não estava disponível antes.

Quem quer trabalhar fora do Brasil. A certificação é reconhecida globalmente. Não precisa explicar para um recrutador em Lisboa ou Miami o que o CCNA significa. Eles sabem.

Para quem não faz sentido agora

Se você trabalha exclusivamente com segurança ofensiva e não vai operar infraestrutura de redes, o CCNA não é o próximo passo. Olha para CCNA CyberOps ou para o caminho de pentest direto.

Se você está em desenvolvimento de software e não tem nenhuma intenção de trabalhar com infraestrutura, o tempo de estudo tem retorno maior em outra direção.

O que acontece com quem não se prepara direito

Vi isso acontecer muitas vezes. A pessoa decide tirar o CCNA, compra um dump de questões, passa na prova e não sabe configurar uma interface no Packet Tracer.

Nas primeiras semanas de trabalho, aparece. O gestor percebe. A certificação não salva quem não sabe o que ela representa.

Fato é que o CCNA só vale o que você colocou de estudo nele. Quem estudou de verdade — fundamentos, laboratório, troubleshooting — sai com uma base que sustenta anos de carreira. Quem decorou questões sai com um PDF no email e um problema pela frente.

Quando tirar: antes ou depois de trabalhar na área?

A pergunta que aparece mais no meu direct.

Minha resposta: as duas situações funcionam, mas a lógica é diferente.

Antes da experiência: o CCNA abre a porta. Você entra numa vaga que não entraria sem a certificação, ganha exposição prática e a base teórica que você tem ajuda a absorver o que acontece no ambiente real.

Com experiência: o CCNA formaliza o que você já sabe e destrava a negociação salarial. Quem tem 2 anos de prática e tira o CCNA está num patamar diferente de quem tirou sem nunca ter configurado um switch.

A prova em si

O exame atual é o CCNA 200-301 v1.1. Fica ativo até fevereiro de 2027, quando a Cisco lança o v2.0.

O exame tem entre 100 e 120 questões em inglês, com 120 minutos. Cobre seis domínios: fundamentos de rede, acesso à rede, conectividade IP, serviços IP, fundamentos de segurança e automação.

O inglês técnico é um ponto de atenção real. Não precisa ser fluente. Precisa conseguir interpretar uma questão com vocabulário de redes sem perder o sentido. Isso se treina.

Como me preparei e o que recomendo

Estudei os fundamentos antes de qualquer simulado. Entender por que o spanning tree converge daquele jeito é mais útil do que decorar que ele converge. Quando você entende o mecanismo, as questões ficam mais fáceis e o trabalho diário faz mais sentido.

A sequência que funciona: conteúdo sólido primeiro, laboratório junto com o conteúdo, simulado para validar o que ficou.

Para o conteúdo, escrevi o Guia Definitivo CCNA 200-301 cobrindo o blueprint completo do jeito que eu gostaria de ter estudado — sem enrolação, na ordem que faz sentido aprender, com os conceitos que de fato aparecem na prova.

Para validar onde você está antes de começar, o diagnóstico gratuito do PacketPass mostra em 20 questões exatamente onde estão os seus gaps por domínio. Você faz, recebe o resultado e já sabe por onde começar.

Não tem atalho. Mas tem caminho.