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Como entrar em pentest: o caminho real, sem romantismo

por Luiz Silvério

Pentest é a carreira mais procurada em segurança da informação. É também a carreira onde mais pessoas começam pelo lugar errado, ficam frustradas com laboratórios que não entendem, e desistem antes de chegar em algum lugar.

O problema não é falta de conteúdo. É excesso de conteúdo na ordem errada.

O que é pentest de verdade

Penetration testing é o processo de tentar comprometer sistemas, redes ou aplicações de forma controlada e autorizada, com o objetivo de identificar vulnerabilidades antes que um atacante real o faça.

A diferença para hacking malicioso é uma: autorização formal. Um contrato, um escopo definido, um relatório técnico entregue ao cliente. Sem isso, é crime. No Brasil, a Lei 12.737/2012 trata acesso não autorizado a sistemas como infração penal.

Um pentester contratado por uma empresa tem permissão explícita para atacar os sistemas daquela empresa. Nada além disso.

O que você precisa saber antes de pensar em pentest

Nenhum especialista sério discorda disso: você não pula para pentest sem base de redes e sistemas.

Pentest é a aplicação ofensiva de conhecimento técnico. Se você não entende como TCP/IP funciona, como DNS resolve nomes, como um switch encaminha quadros, como Linux gerencia processos e permissões, você não vai entender o que está fazendo quando explorar uma vulnerabilidade. Vai decorar comandos sem entender o que acontece.

A base necessária antes de pentest:

Redes: modelo OSI, TCP/IP, endereçamento IP, subnetting, protocolos (DNS, HTTP, HTTPS, SSH, FTP, SMTP). Saber interpretar um tcpdump ou Wireshark é diferencial desde o início.

Linux: navegação por terminal, permissões, processos, scripting básico em Bash. Kali Linux, a distribuição padrão de pentest, é Debian-based. Quem não sabe Linux vai travar no primeiro lab.

Python básico: não precisa ser desenvolvedor. Precisa entender um script de 30 linhas, modificar parâmetros, entender o que um exploit está fazendo. Automatizar tarefas repetitivas de reconhecimento é essencial no trabalho real.

Essa base leva de 3 a 6 meses dependendo do ponto de partida. Não tem atalho.

O caminho em ordem

Fase 1: fundamentos (3-6 meses)

Redes, Linux, Python básico. Plataformas como TryHackMe têm trilhas estruturadas para quem está começando do zero. O módulo Pre-Security do TryHackMe cobre exatamente esse território antes de avançar para técnicas ofensivas.

Fase 2: primeiros labs (3-6 meses)

Com a base no lugar, entra em laboratórios práticos. TryHackMe tem máquinas guiadas com dicas. HackTheBox começa mais difícil mas tem trilhas de nível iniciante. VulnHub oferece máquinas gratuitas para baixar e montar localmente.

Nessa fase você aprende a metodologia: reconhecimento, enumeração, exploração, pós-exploração. Cada passo tem ferramentas específicas: nmap para varredura, gobuster para enumeração web, Metasploit para exploração de vulnerabilidades conhecidas, linpeas/winpeas para escalação de privilégios.

Fase 3: primeira certificação

A eJPT (eLearnSecurity Junior Penetration Tester) é a primeira certificação recomendada por quem trabalha na área. 100% prática, exame de 48 horas, cobre reconhecimento, enumeração, exploração de redes e aplicações web. Custa em torno de U$400 com o curso preparatório da INE.

Ela não vai te colocar num emprego sozinha. Vai validar que você tem base prática mínima e te preparar para o próximo passo.

Fase 4: certificação intermediária

Aqui o caminho bifurca dependendo do objetivo:

CEH (Certified Ethical Hacker) — EC-Council. Reconhecida pelo RH, muito usada em vagas corporativas brasileiras. Conteúdo amplo mas com ênfase teórica. Exame de múltipla escolha. Boa para quem quer entrar em grandes empresas onde a certificação aparece em triagem de currículo.

eCPPT — eLearnSecurity. Mais prática que a CEH, cobre técnicas avançadas de exploração, pós-exploração e pivoting. Menos conhecida pelo RH mas mais valorizada por quem vai te avaliar tecnicamente.

Fase 5: OSCP

A OSCP (Offensive Security Certified Professional) é a certificação mais respeitada em pentest no mercado global. O exame são 24 horas para comprometer máquinas num ambiente de rede realista. Sem múltipla escolha, sem dica, sem Google. Você compromete ou não compromete.

O curso preparatório (PWK) inclui 90 dias de laboratório com dezenas de máquinas. Investimento a partir de U$999.

A OSCP é o objetivo de longo prazo, não o ponto de entrada. Quem tenta a OSCP sem a base dos passos anteriores geralmente falha e perde o investimento.

Quanto tempo e quanto custa

Caminho realista do zero até o mercado de trabalho, estudando de 1 a 2 horas por dia:

Fundamentos:          3-6 meses
Labs práticos:        3-6 meses
eJPT:                 2-3 meses
CEH ou eCPPT:         3-4 meses
OSCP:                 6-12 meses
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Total realista:       18-30 meses

Custo aproximado para chegar até OSCP: R$8.000 a R$15.000 entre cursos, certificações e renovações.

Salários no Brasil em 2025: júnior R$4.000 a R$7.000. Pleno R$8.000 a R$15.000. Sênior acima de R$20.000. Quem atua como freelancer em contratos por projeto pode ultrapassar isso.

O que as vagas realmente pedem

Analisando vagas de pentest no mercado brasileiro, o que aparece com mais frequência:

  • Redes TCP/IP (sem exceção)
  • Linux em nível operacional
  • Conhecimento em OWASP Top 10 para vagas com foco web
  • Experiência com Kali Linux e ferramentas padrão (nmap, Burp Suite, Metasploit)
  • CEH ou OSCP como diferencial
  • Capacidade de escrever relatório técnico claro

▌ Note que: a base de redes aparece em 100% das vagas. Não existe pentest sem entender o que está trafegando na rede que você está testando.

Se você quer entrar em pentest e ainda não tem certeza onde sua base de redes está, esse é o primeiro ponto a resolver.


A carreira existe, paga bem e a demanda vai crescer. O caminho tem atalhos só no papel. Na prática, é base, lab, certificação, mais lab, mais certificação. Quem aceita isso desde o início chega mais rápido.