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FortiGate high availability: active-passive e active-active no NSE4

por Luiz Silvério

High Availability (HA) no FortiGate garante continuidade de serviço quando um firewall falha.

Sem HA, se o FortiGate principal cair, toda a rede perde acesso à internet e a qualquer serviço que passa pelo firewall. Com HA, um segundo FortiGate assume em segundos, sem intervenção manual.


FGCP: o protocolo de HA da Fortinet

O FortiGate Clustering Protocol (FGCP) é o protocolo proprietário Fortinet que gerencia o cluster de HA.

O FGCP usa interfaces de heartbeat para comunicação entre os membros do cluster. Essas interfaces trocam informações de saúde a cada segundo. Se o membro primário para de responder, o secundário assume.

Dois requisitos para o cluster funcionar:

Os dois FortiGates precisam ser do mesmo modelo e ter o mesmo FortiOS. Hardware diferente ou versões diferentes não formam cluster.


Active-Passive: o modo mais comum

No modo active-passive, um FortiGate é o primário e processa todo o tráfego. O outro fica em standby, sincronizado com o primário mas sem processar tráfego.

Quando o primário falha, o secundário assume em 1 a 3 segundos. O FGCP altera os endereços MAC das interfaces para corresponder ao primário. Dispositivos na rede não percebem a mudança porque o MAC e o IP ficam os mesmos.

Sessões existentes: no active-passive com session synchronization habilitada, as sessões TCP ativas são sincronizadas para o secundário. Após o failover, as sessões continuam sem interrupção.


Active-Active: com load balancing

No modo active-active, os dois FortiGates processam tráfego simultaneamente. O primário distribui as sessões entre os membros usando um algoritmo de load balancing.

Vantagem: maior throughput total. Ambos os dispositivos são utilizados.

Desvantagem: mais complexo. O tráfego de entrada e saída de uma sessão pode passar por membros diferentes, exigindo sincronização contínua.

Na prática, o active-passive é mais usado em ambientes corporativos porque é mais simples de gerenciar e o failover é mais previsível.


Configuração de HA active-passive

Pré-requisitos:

  • Dois FortiGates do mesmo modelo e mesma versão FortiOS
  • Pelo menos dois cabos de heartbeat conectando os dois dispositivos
  • Configuração idêntica nos dois, exceto pelo device priority

Em FG1 (primário):

config system ha
    set mode a-p
    set group-id 1
    set group-name "Cluster-Corporativo"
    set password MinhasenhaHA
    set hbdev "ha1" 10 "ha2" 20
    set session-pickup enable
    set device-priority 200
end

Em FG2 (secundário):

config system ha
    set mode a-p
    set group-id 1
    set group-name "Cluster-Corporativo"
    set password MinhasenhaHA
    set hbdev "ha1" 10 "ha2" 20
    set session-pickup enable
    set device-priority 100
end

O device-priority mais alto vence a eleição para primário. O session-pickup enable ativa a sincronização de sessões. O password precisa ser idêntico nos dois lados.


Interfaces de heartbeat

O heartbeat é a comunicação entre os membros do cluster. Recomendações:

Usar pelo menos duas interfaces de heartbeat para redundância. Se uma falhar, o cluster continua via a outra.

As interfaces de heartbeat devem ter conexão direta entre os FortiGates, não passar por switches.

No hbdev, o número após o nome da interface é a prioridade. Interface com menor número tem maior prioridade de heartbeat.


Verificação do cluster

FG1 # get system ha status
HA Health Status:    OK
Model:               FortiGate-100F
Mode:                HA A-P
Group:               1
Debug:               0

ses_pickup:          Enabled
ses_pickup_delay:    Disabled

Group ID:            1
Group Name:          Cluster-Corporativo

Overal HA status:    Enable
Primary Unit Name:   FG1
Primary Unit Status: Active

Secondary Unit Name: FG2
Secondary Unit Status: Standby

FG1 # diagnose sys ha checksum cluster

Esse comando verifica se a configuração dos dois membros está sincronizada. Se mostrar diferenças, algo foi configurado em um membro mas não no outro.


Testar o failover

Para testar sem desligar o hardware:

FG1 # diagnose sys ha reset-uptime

Esse comando força o failover manual para o secundário. Use em janela de manutenção.

Para verificar que o failover funcionou, o secundário deve aparecer como Active e o primário como Standby após o comando.


O que o NSE4 cobra sobre HA

HA é um dos temas mais cobrados no NSE4, especialmente no domínio de Infrastructure. Os pontos mais frequentes:

Diferença entre active-passive e active-active. O que é FGCP e as interfaces de heartbeat. Por que os dois FortiGates precisam ser do mesmo modelo. O que é device priority e como afeta a eleição. O que é session-pickup e por que importa para failover transparente. Verificação com get system ha status.


FAQ

O FortiGate secundário precisa de licença separada? Sim. Cada FortiGate no cluster precisa de suas próprias licenças de hardware e serviços FortiGuard. O cluster não compartilha licenças.

Posso gerenciar cada membro do cluster separadamente? Sim, via interface de gerenciamento fora do cluster. Mas toda configuração feita via CLI ou GUI no primário é automaticamente sincronizada para o secundário. Configurar diretamente no secundário pode criar inconsistências.

O que é override e quando usar? Override determina se o membro com maior device-priority retoma o papel de primário quando volta após uma falha. Com override habilitado: retoma automaticamente. Com override desabilitado (padrão): o secundário continua como primário mesmo após o retorno do original.


▌ High Availability é tema obrigatório no NSE4. O simulado do PacketPass tem questões calibradas para o exame FCP_FGT_AD-7.6 atual.


Informações baseadas no blueprint NSE4 FortiOS 7.6, documentação oficial da Fortinet (FortiOS 7.6.4) e CertLand Study Guide (março 2026).