← voltar pro blog
// troubleshooting

Ping vs traceroute: a diferença e quando usar cada um no troubleshooting

por Luiz Silvério

Ping e traceroute são as duas ferramentas mais usadas em troubleshooting de rede. Fazem perguntas diferentes e têm usos diferentes.

Confundir os dois ou usar o errado para a situação desperdiça tempo de diagnóstico.

O que o ping faz

O ping envia pacotes ICMP Echo Request para o destino e aguarda ICMP Echo Reply.

Resposta chegou: o destino está alcançável. O caminho de ida e volta funciona na camada 3.

Resposta não chegou: o destino não está alcançável, ou o ICMP está sendo bloqueado no caminho, ou a resposta está sendo bloqueada na volta.

O ping mede três coisas:

Alcançabilidade: o destino responde ou não.

Latência (RTT): o tempo de ida e volta em milissegundos. Latência alta pode indicar congestionamento, link lento ou roteamento subótimo.

Perda de pacotes: quantos dos N pacotes enviados não voltaram. Perda acima de 1% em links estáveis é sinal de problema.

Router# ping 8.8.8.8 repeat 100
Sending 100, 100-byte ICMP Echos to 8.8.8.8, timeout is 2 seconds:
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Success rate is 100 percent (100/100), round-trip min/avg/max = 12/13/18 ms

O que o traceroute faz

O traceroute descobre o caminho hop a hop entre a origem e o destino.

Usa TTL (Time to Live) de forma inteligente: envia o primeiro pacote com TTL=1, o segundo com TTL=2, o terceiro com TTL=3, e assim por diante.

Quando um roteador recebe um pacote com TTL=1, decrementa para 0, descarta o pacote e responde com ICMP Time Exceeded para a origem. Esse ICMP revela o endereço IP do roteador intermediário.

Daí o traceroute coleta os endereços IP de cada hop no caminho e mede a latência até cada um.

Router# traceroute 8.8.8.8
Tracing the route to 8.8.8.8
  1 192.168.1.1 4 msec 4 msec 4 msec
  2 10.100.0.1 8 msec 8 msec 8 msec
  3 187.20.45.1 12 msec 12 msec 12 msec
  4  *  *  *
  5 8.8.8.8 18 msec 18 msec 18 msec

Os * * * no hop 4 indicam que esse roteador não respondeu ao ICMP Time Exceeded. Pode ser que o roteador esteja bloqueando ICMP ou configurado para não revelar o endereço. Não significa necessariamente problema — o tráfego continuou até o destino no hop 5.

A diferença objetiva

Ferramenta Pergunta respondida Protocolo Uso principal
Ping O destino está alcançável? ICMP Echo Request/Reply Verificar conectividade básica
Traceroute Por qual caminho o tráfego está indo? ICMP TTL exceeded / UDP Localizar onde o tráfego para

Quando usar cada um

Use ping quando:

Você quer saber se o destino está acessível. Após uma mudança de rota, verificar se o novo caminho funciona. Medir latência básica. Confirmar resolução de um incidente de conectividade.

Use traceroute quando:

O ping falha e você não sabe onde está o problema. Você suspeita de roteamento incorreto (tráfego indo pelo caminho errado). Você quer identificar onde a latência está sendo introduzida. Você precisa saber até qual hop o tráfego chega antes de parar.

O fluxo de diagnóstico correto

Ping falhou? Primeiro passo: traceroute.

! Passo 1: verificar alcançabilidade
ping 10.0.0.5

! Ping falhou. Passo 2: identificar onde o tráfego para
traceroute 10.0.0.5

! Traceroute mostra que para no hop 3 (192.168.2.1)
! Passo 3: verificar a tabela de roteamento naquele roteador
show ip route 10.0.0.5

O traceroute transformou um problema vago ("não consigo acessar 10.0.0.5") em algo específico ("o roteador 192.168.2.1 não sabe como chegar em 10.0.0.5").

Traceroute no Windows vs Cisco IOS vs Linux

Plataforma Comando Protocolo padrão
Cisco IOS traceroute ICMP
Windows tracert ICMP
Linux/Mac traceroute UDP (porta 33434+)

O Cisco IOS usa ICMP por padrão no traceroute. O Linux usa UDP. Daí os resultados podem diferir quando firewalls bloqueiam um protocolo mas não o outro.

Extended traceroute no IOS

Para traceroute com mais controle:

Router# traceroute
Protocol [ip]:
Target IP address: 10.0.0.5
Source address: 192.168.1.1
Numeric display [n]: n
Timeout in seconds [3]: 3
Probe count [3]: 3
Minimum Time to Live [1]: 1
Maximum Time to Live [30]: 30

O Source address permite especificar qual interface usar como origem — útil para testar rotas específicas e troubleshooting de NAT.

O que a prova CCNA cobra

Ping e traceroute estão em troubleshooting de IP Connectivity. Os pontos mais frequentes:

O que cada ferramenta testa. Qual protocolo cada uma usa. O que * * * no traceroute significa. Como os dois se complementam no diagnóstico. A diferença de comando entre traceroute (IOS/Linux) e tracert (Windows).

FAQ

Ping funcionando garante que a aplicação vai funcionar? Não. O ping testa ICMP. Uma ACL pode permitir ICMP e bloquear TCP 443. O serviço no destino pode estar parado. O DNS pode não estar resolvendo. Ping bem-sucedido é necessário mas não suficiente.

Traceroute mostrando * * * em todos os hops significa que não há caminho? Não necessariamente. Alguns roteadores bloqueiam ICMP completamente mas ainda encaminham tráfego TCP/UDP. O traceroute para mas o tráfego real passa. Confirme com o ping do destino final.

Posso usar ping para medir perda de pacotes? Sim. ping 10.0.0.1 repeat 1000 envia 1000 pacotes. Se 950 voltam, a perda é 5%. Para análise mais precisa, use ferramentas específicas como iperf ou IPSLA no IOS.



Leia também:

▌ Ping e traceroute são ferramentas básicas de troubleshooting cobradas em IP Connectivity do CCNA. O diagnóstico gratuito do PacketPass mostra onde estão suas lacunas. Resultado na hora, sem cadastro.

Informações baseadas no blueprint CCNA 200-301 atual e documentação oficial da Cisco sobre ICMP e troubleshooting.