Ping e traceroute são as duas ferramentas mais usadas em troubleshooting de rede. Fazem perguntas diferentes e têm usos diferentes.
Confundir os dois ou usar o errado para a situação desperdiça tempo de diagnóstico.
O que o ping faz
O ping envia pacotes ICMP Echo Request para o destino e aguarda ICMP Echo Reply.
Resposta chegou: o destino está alcançável. O caminho de ida e volta funciona na camada 3.
Resposta não chegou: o destino não está alcançável, ou o ICMP está sendo bloqueado no caminho, ou a resposta está sendo bloqueada na volta.
O ping mede três coisas:
Alcançabilidade: o destino responde ou não.
Latência (RTT): o tempo de ida e volta em milissegundos. Latência alta pode indicar congestionamento, link lento ou roteamento subótimo.
Perda de pacotes: quantos dos N pacotes enviados não voltaram. Perda acima de 1% em links estáveis é sinal de problema.
Router# ping 8.8.8.8 repeat 100
Sending 100, 100-byte ICMP Echos to 8.8.8.8, timeout is 2 seconds:
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Success rate is 100 percent (100/100), round-trip min/avg/max = 12/13/18 ms
O que o traceroute faz
O traceroute descobre o caminho hop a hop entre a origem e o destino.
Usa TTL (Time to Live) de forma inteligente: envia o primeiro pacote com TTL=1, o segundo com TTL=2, o terceiro com TTL=3, e assim por diante.
Quando um roteador recebe um pacote com TTL=1, decrementa para 0, descarta o pacote e responde com ICMP Time Exceeded para a origem. Esse ICMP revela o endereço IP do roteador intermediário.
Daí o traceroute coleta os endereços IP de cada hop no caminho e mede a latência até cada um.
Router# traceroute 8.8.8.8
Tracing the route to 8.8.8.8
1 192.168.1.1 4 msec 4 msec 4 msec
2 10.100.0.1 8 msec 8 msec 8 msec
3 187.20.45.1 12 msec 12 msec 12 msec
4 * * *
5 8.8.8.8 18 msec 18 msec 18 msec
Os * * * no hop 4 indicam que esse roteador não respondeu ao ICMP Time Exceeded. Pode ser que o roteador esteja bloqueando ICMP ou configurado para não revelar o endereço. Não significa necessariamente problema — o tráfego continuou até o destino no hop 5.
A diferença objetiva
| Ferramenta | Pergunta respondida | Protocolo | Uso principal |
|---|---|---|---|
| Ping | O destino está alcançável? | ICMP Echo Request/Reply | Verificar conectividade básica |
| Traceroute | Por qual caminho o tráfego está indo? | ICMP TTL exceeded / UDP | Localizar onde o tráfego para |
Quando usar cada um
Use ping quando:
Você quer saber se o destino está acessível. Após uma mudança de rota, verificar se o novo caminho funciona. Medir latência básica. Confirmar resolução de um incidente de conectividade.
Use traceroute quando:
O ping falha e você não sabe onde está o problema. Você suspeita de roteamento incorreto (tráfego indo pelo caminho errado). Você quer identificar onde a latência está sendo introduzida. Você precisa saber até qual hop o tráfego chega antes de parar.
O fluxo de diagnóstico correto
Ping falhou? Primeiro passo: traceroute.
! Passo 1: verificar alcançabilidade
ping 10.0.0.5
! Ping falhou. Passo 2: identificar onde o tráfego para
traceroute 10.0.0.5
! Traceroute mostra que para no hop 3 (192.168.2.1)
! Passo 3: verificar a tabela de roteamento naquele roteador
show ip route 10.0.0.5
O traceroute transformou um problema vago ("não consigo acessar 10.0.0.5") em algo específico ("o roteador 192.168.2.1 não sabe como chegar em 10.0.0.5").
Traceroute no Windows vs Cisco IOS vs Linux
| Plataforma | Comando | Protocolo padrão |
|---|---|---|
| Cisco IOS | traceroute |
ICMP |
| Windows | tracert |
ICMP |
| Linux/Mac | traceroute |
UDP (porta 33434+) |
O Cisco IOS usa ICMP por padrão no traceroute. O Linux usa UDP. Daí os resultados podem diferir quando firewalls bloqueiam um protocolo mas não o outro.
Extended traceroute no IOS
Para traceroute com mais controle:
Router# traceroute
Protocol [ip]:
Target IP address: 10.0.0.5
Source address: 192.168.1.1
Numeric display [n]: n
Timeout in seconds [3]: 3
Probe count [3]: 3
Minimum Time to Live [1]: 1
Maximum Time to Live [30]: 30
O Source address permite especificar qual interface usar como origem — útil para testar rotas específicas e troubleshooting de NAT.
O que a prova CCNA cobra
Ping e traceroute estão em troubleshooting de IP Connectivity. Os pontos mais frequentes:
O que cada ferramenta testa. Qual protocolo cada uma usa. O que * * * no traceroute significa. Como os dois se complementam no diagnóstico. A diferença de comando entre traceroute (IOS/Linux) e tracert (Windows).
FAQ
Ping funcionando garante que a aplicação vai funcionar? Não. O ping testa ICMP. Uma ACL pode permitir ICMP e bloquear TCP 443. O serviço no destino pode estar parado. O DNS pode não estar resolvendo. Ping bem-sucedido é necessário mas não suficiente.
Traceroute mostrando * * * em todos os hops significa que não há caminho? Não necessariamente. Alguns roteadores bloqueiam ICMP completamente mas ainda encaminham tráfego TCP/UDP. O traceroute para mas o tráfego real passa. Confirme com o ping do destino final.
Posso usar ping para medir perda de pacotes?
Sim. ping 10.0.0.1 repeat 1000 envia 1000 pacotes. Se 950 voltam, a perda é 5%. Para análise mais precisa, use ferramentas específicas como iperf ou IPSLA no IOS.
Leia também:
- Ping falhando: como diagnosticar
- show ip interface brief: como interpretar
- show ip route: como ler a tabela de roteamento
▌ Ping e traceroute são ferramentas básicas de troubleshooting cobradas em IP Connectivity do CCNA. O diagnóstico gratuito do PacketPass mostra onde estão suas lacunas. Resultado na hora, sem cadastro.
Informações baseadas no blueprint CCNA 200-301 atual e documentação oficial da Cisco sobre ICMP e troubleshooting.